“Sou a favor do fosso intergeracional, pais e filhos não são iguais”

Maio 12, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Entrevista da revista on-line Livros & Leituras a Daniel Sampaio no dia 9 de Maio de 2010.

Livros & Leituras – Médico, professor e escritor são profissões muito exigentes e desgastantes do ponto de vista emocional. Como consegue encadear todas estas vertentes com um equilíbrio tão racional?

Daniel Sampaio – Procuro organizar-me, definindo bem os espaços e tempos para cada actividade. De manhã, dedico-me ao ensino da Psiquiatria e Saúde Mental na Faculdade de Medicina de Lisboa e faço consultas no Hospital de Santa Maria; à tarde escrevo ou tenho consultas privadas (só duas vezes por semana) e no fim de semana volto a escrever e estou com a família e amigos.

L&L – Escreve, essencialmente, sobre adolescentes, família e escola. Em 1978 escreveu “Drogas, Pais e Filhos” e, desde então, a sociedade tem mudado de forma vertiginosa. Quais as alterações mais significativas que encontra na maneira de estar, de ser e de agir dos jovens?

DS – Os jovens de hoje são mais criativos, socializam-se pela internet e divertem-se de outra maneira. Diria que a sua criatividade aumentou, mas a possibilidade de participação não.

L&L – O livro “Voltei à Escola” pode ser entendido e observado como uma necessidade constante de adaptação, por parte do ser humano, às mutações da sociedade?

DS – Não pretende ir tão longe. É apenas o relato de uma ida à escola e uma reflexão sobre o espaço escolar.

L&L – “Inventam-se Novos Pais”, publicado em 1994, deixa presente a necessidade dos progenitores ouvirem os filhos adolescentes. Considera que há uma barreira substancial entre as atitudes dos pais e a forma de estar dos mais novos?

DS – Sou a favor do fosso intergeracional, pais e filhos não são iguais. Mas esse livro, apesar do êxito que teve (80.000exemplares), está desactualizado. Pais e filhos de hoje estão mais próximos, mas precisam perceber que a adolescência saudável implica que as duas gerações concordem na necessidade de autonomia e controlo dos jovens.

L&L – Uma questão que, quase com toda a certeza, os nossos leitores gostariam de ler nesta entrevista prende-se com o facto de se dizer muitas vezes que os pais são responsáveis pela conduta dos seus filhos. Como encara este assunto?

DS – Não concordo. No meu livro “Lavrar o Mar” defendo a responsabilização dos mais novos pelo seu comportamento, é a única forma de progredirmos todos.

L&L – No seu último livro, “Porque Sim”, refere que “os pais com maturidade sabem que os filhos não lhes pertencem”. Considera que os progenitores exageram na forma como protegem os seus filhos – por exemplo no andar sozinhos na rua?

DS – Sem dúvida. Tenho pena que tantas crianças não possam brincar na rua, mas compreendo os medos dos pais. Recomendo que os jovens andem em grupo e que não se fechem em casa.

L&L – “Vivemos Livres numa Prisão”, uma das suas obras publicada em 1998, é um título muito profundo e, simultaneamente, objectivo do ponto de vista psicológico. Qual a principal mensagem daqui a retirar?

DS – É um título metafórico, queria falar das prisões interiores, muito evidentes nas pessoas com anorexia nervosa (tema da obra).

L&L – O livro “Vagabundo de Nós” foi adaptado ao teatro e foi visto por cerca de 6000 pessoas. Considera que o tema em causa – a homossexualidade – esteve intimamente relacionado com este sucesso?

DS – Houve muitas razões para esse sucesso: sem dúvida a coragem de debater o tema, há seis anos não era fácil, mas também a qualidade dos actores – Márcia Breia e Nuno Lopes, de quem fiquei amigo – e a intimidade da narrativa.

L&L – O bullying tem estado na “ordem do dia” nos mais diversos contextos. Não lhe parece que se está a cair no exagero e, consequentemente, a banalizar um assunto tão importante?

DS – Sim, sobretudo porque não se apontam medidas. O bullying pode ser minorado com trabalho cooperativo na escola, envolvendo alunos, professores, pais e auxiliares de acção educativa.

L&L – Referiu publicamente que “A pessoa nunca se suicida só porque é vítima de bullying”. Parece-lhe, então, que todo o restante contexto social pode ter um peso muito maior neste tipo de decisões?

DS – O que eu quis dizer – mais uma vez, porque afirmo o mesmo em vários textos – é que o suicídio é multideterminado, isto é, tem múltiplas causas. Não pode, por isso, ser atribuído só ao bullying, decorre de um conjunto grande de dificuldades pessoais. Isto não quer dizer que se deva menosprezar os comportamentos violentos na escola.

L&L – Sei que a sua avó o influenciou de uma forma muito positiva. Foi também nesta perspectiva que surgiu o livro “A Razão dos Avós”, num olhar de continuidade da noção de família?

DS – Sim, esse livro pretende falar da importância das gerações familiares ao longo dos tempos. Surpreendeu-me o interesse dos leitores!

1ª Exposição itinerante “A CRIANÇA E O BRINQUEDO-PERCURSOS PELA ARTE NOVA”

Maio 12, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O MCB-Museu da Criança e do Brinquedo organiza a sua 1ª Exposição itinerante intitulada “A CRIANÇA E O BRINQUEDO-PERCURSOS PELA ARTE NOVA”, no Museu de Arte Nova em Aveiro de 25 de Maio a 04 de Julho. Site do Museu Aqui

Leia histórias ao seu filho para ele ser bem-sucedido

Maio 12, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 9 de Maio de 2010.

Imagem retirada Daqui

Estudo diz que ler contos infantis às crianças melhora as suas notas na escola.

Ler uma história ao seu filho traz mais vantagens do que simplesmente fazê-lo adormecer mais depressa. Pode ajudá-lo a ser bem- -sucedido na escola, de acordo com uma investigação levada a cabo pela Universidade de Oxford. O estudo inglês indica que as crianças a quem os pais lêem histórias têm melhores resultados escolares. Enquanto aquelas a quem os pais nunca leram um livro infantil apresentam maior dificuldade em contar e escrever histórias na escola. Efeitos para os quais especialistas portugueses também chamam a atenção. “Os miúdos que têm este tipo de actividades com os pais têm melhores condições para desenvolver as suas competências”, reconhece o psicólogo educacional José Morgado. Uma vantagem que a socióloga Maria Manuel Vieira explica pelo facto de a escola se basear numa cultura escrita. “A chave do sucesso escolar é a leitura e a escrita e se isso faz parte da rotina da criança antes desta entrar na escola, aumentam as hipóteses de ela ter sucesso”, explica a socióloga da Educação. Assim, quando chegam à escola as crianças já viram livros e já estão habituadas a manuseá-los, acrescenta a socióloga. Por outro lado, “ouvir e ler histórias é um incentivo à imaginação. O texto escrito funciona como ponto de partida para a imaginação”, defende Maria Manuel Vieira. Além do desenvolvimento cognitivo, José Morgado sublinha o reforço da ligação entre os pais e as crianças, durante a leitura de histórias. “Esta actividade, como qualquer outra que ponha os pais em contacto com os filhos e os estimule, é boa”, lembra o psicólogo educacional. Para as crianças mais pequenas, ouvir as histórias contadas pelos pais ajuda-os “a dissipar alguns medos e inquietações, porque aprendem a lidar com as situações”, refere José Morgado. O professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) adianta ainda que o hábito da leitura ajuda “a motivar para a aprendizagem”. Apesar de reconhecer os benefícios da leitura de histórias infantis, José Morgado sublinha que “o facto de os meninos não terem lido ou ouvido histórias antes de irem para a escola, não os condena ao fracasso”. Da mesma forma que uma criança a quem os pais leram muito pode não ter sucesso, acrescenta Maria Manuel Vieira. Ou seja, “não basta ter os meios culturais, também depende de factores, como o tempo que os pais passam com os filhos”, diz. José Morgado frisa ainda que se deve incentivar a leitura, mas “sem culpar os pais, porque eles às vezes não têm muito tempo para fazer todas as actividades com os filhos”.


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