Esteja atent@ aos sinais de bullying

Abril 28, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Se o seu filho anda ansioso e deprimido e não tem vontade de ir às aulas, pode estar a ser vítima de abusos dos colegas. Alunos, pais e escolas devem estar atentos aos sinais.

Quando alguém mais vulnerável, física ou psicologicamente, sofre intimidação intencional e frequente, sem provocar, fala-se de bullying. Insultos, agressão física, isolamento ou o recente ciberbullying, que recorre ao telemóvel e à Net, são comportamentos que o caracterizam.

Uma educação superprotectora ou rígida está, muitas vezes, na base do perfil das vítimas. São jovens inseguros e com dificuldade em fazer amigos, mas nem sempre passivos. Quando contra-atacam ou tentam resistir à agressão, raramente conseguem melhor do que levar à escalada da violência.

Já os agressores aprendem em casa que a força e a humilhação são formas de lidar com os problemas e resistem mal à frustração. Provêm, com frequência, de famílias desestruturadas, com ambiente autoritário. Têm baixa auto-estima e fraca supervisão dos pais.

O grupo tem um papel decisivo. Alguns colegas encorajam o agressor e colaboram nas ameaças. Outros podem proteger a vítima ou afastam-se sem se comprometerem. Por vezes, passam a adoptar também comportamentos agressivos se perceberem que não são sancionados.

Se o seu filho revela ansiedade, nervosismo ou estados de depressão e não tem vontade de ir à escola, pode estar a ser intimidado.

Fale com o professor e esteja atento aos sinais. Náuseas ou vómitos antes de sair de casa podem ser significativos. Por vezes, surgem lesões injustificadas, baixa auto-estima, choro e pesadelos frequentes. A roupa e os livros podem aparecer estragados e a criança justificar-se com a “perda” de objectos e dinheiro. Alterações nos hábitos alimentares, como a diminuição de apetite, devem ainda ser levados em conta.

O agressor também precisa de ajuda. No caso de ser pai de um jovem com comportamento anti-social, não parta para a ameaça. Imponha limites e dê orientações para expressar a insatisfação sem magoar os outros. Encoraje um pedido de desculpas ao colega agredido, pessoalmente ou por escrito.

As políticas de tolerância zero e castigo seguidas por muitas escolas adiam o problema e podem provocar retaliações.

Na maioria das situações, não há uma estratégia de prevenção que articule alunos, professores, funcionários e pais. Só há uma intervenção quando o caso é denunciado ou face a marcas de agressão física.

O envolvimento de todos em debates, campanhas ou até peças de teatro é a melhor forma de redobrar a vigilância.

Diário de Notícias em 25 de Abril 2010

TrackBack URI


Entries e comentários feeds.

%d bloggers like this: