O que sabe um miúdo sobre desemprego? Como decide a sua vocação profissional?

Março 25, 2010 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O desemprego está onde quer que se esteja – na televisão, nos jornais, à mesa do café ou na sala de jantar. Não há como fugir ao tema, mas será que o tema chegou aos adolescentes que a partir do 9.o ano são obrigados a escolher a sua área vocacional? A taxa de desemprego está nos 10%; os recém-licenciados são os mais atingidos com o desemprego de longa duração (51%); e o desemprego jovem ronda os 20%. São números que boa parte da população já conhece, mas terão força suficiente para condicionar as opções dos alunos do 3.o ciclo e do ensino secundário? A pergunta foi feita aos psicólogos de orientação vocacional. A resposta surgiu decomposta em duas categorias. Tomar uma decisão “realista” sobre o futuro profissional é um comportamento de uma minoria. Os restantes – a grande maioria – continuam sonhadores e a léguas de distância do que se passa no mercado de trabalho.

Quem são então estes dois grandes grupos? A resposta está na família. “Os filhos de pais com profissões liberais ou com estudos superiores são os que têm uma atitude mais consciente sobre as dificuldades do mercado de trabalho”, explica Paulo de Jesus, psicólogo de orientação vocacional e professor da Universidade Lusófona do Porto. Não são muitos os alunos preocupados com o desemprego, mas essa inquietação surge entre “alguns jovens”, sobretudo nos “dois ou três últimos anos”, esclarece Eduarda Ferreira, psicóloga da Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal. A classe social e o contexto familiar determinam portanto a atitude dos miúdos perante o futuro.

Quanto mais elevada é a condição social, mais “bem equipados e autónomos” são os adolescentes que no 9.o e no 12.o anos de escolaridade têm de decidir sobre a sua profissão. “São jovens que já conhecem o perfil de várias actividades, seja porque a mãe é médica, o pai é engenheiro ou o tio é advogado, aprenderam fora do meio escolar como é que se adquire algumas das competências profissionais”, explica Paulo de Jesus. É sobretudo entre os alunos de classe média alta que o psicólogo diz encontrar os adolescentes que procuram informação sobre as “boas escolas e as boas universidades” ou os cursos com mais saídas profissionais. Até porque, conta, Mónica de Sousa, psicóloga clínica que também presta orientação vocacional aos alunos do ensino básico e secundário no seu consultório de Lisboa, os pais que concluíram os estudos universitários tendem a ser mais rigorosos com os seus filhos e exigir que também eles prossigam os estudos no ensino superior.

Fantasia e realismo

A grande maioria chega ao fim do ensino básico sem saber o que quer da vida: “O que até é normal, uma vez que a adolescência é uma fase de grande inconstância e imaturidade”, esclarece Eduarda Ferreira. O modo como os adolescentes escolhem as áreas escolares ou até as profissões dependem de vários factores, alerta Vasco Catarino Soares, psicoterapeuta que também dá consultas de orientação vocacional em Lisboa: “Escolher o que os amigos escolheram, escolher para fugir à matemática, escolher porque um tio disse que se ganha muito dinheiro, escolher porque os pais querem são apenas algumas condicionantes que influenciam as decisões dos alunos.” Entre as “centenas de jovens” que passaram pelo seu consultório há uma tendência: “A fantasia de encontrar uma profissão livre de frustração, em que tudo é um desafio e onde não há tarefas rotineiras.

É o “idealismo” que caracteriza os primeiros anos da adolescência mas que se torna “preocupante” quando se prolonga até aos 17 ou 18 anos, adverte Paulo de Jesus: “Regra geral as escolhas dos cursos universitários fazem-se sem o conhecimento da dinâmica do mercado de trabalho e as opções são tomadas sem se ajustar às probabilidades de emprego.” Em boa parte dos casos, defende o psicólogo de orientação vocacional, a recolha de informação sobre as saídas profissionais só acontece nos últimos anos da faculdade. E isso tem uma razão de ser: “O sistema de ensino encontra-se divorciado da realidade até ao momento do estágio profissional.”

E como uma “vasta percentagem” dos jovens que estudam nas universidades são os “pioneiros” nas suas famílias isso põe-nos em desvantagem por não poderem contar com a experiência dos pais ou de outros familiares: “E por isso tornam-se mais vulneráveis à propaganda das instituições de ensino superior que todos os anos procuram angariar o máximo de alunos.” Um fenómeno que pode explicar igualmente a profusão de cursos lançados “sem qualquer correspondência” com as ofertas disponíveis no mercado de trabalho, defende Paulo de Jesus.

A “passividade” perante as decisões a tomar face ao futuro começa no 9.o ano de escolaridade e estende-se até ao fim do percurso académico: “E isso tem implicações práticas muito sérias”, adverte o psicólogo de orientação vocacional. Metas mal definidas, poucas estratégias de procura de emprego e défice de empreendedorismo são os riscos para uma geração que ainda “não adquiriu instrumentos nem competências” para combater o desemprego ou sequer enfrentar a “competitividade” do mercado de trabalho: “A chave está na capacidade que as universidades têm de ter para criar interfaces com o mundo do trabalho.”

Jornal i, 22 de Março de 2010

Os destaques a negrito são da nossa responsabilidade.

“SOS Crianças” tema do programa “Mundo das Mulheres” na SIC Mulher

Março 25, 2010 às 3:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Hoje dia 25 de Março de 2010, às 19.00 horas, o programa Mundo das Mulheres na SIC Mulher vai ser dedicado ao tema SOS Crianças.

O programa vai contar com a presença da Drª Dulce Rocha – Presidente Executiva do Instituto de Apoio à Criança e do Dr. Manuel Coutinho – Secretário Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do SOS Criança do Instituto de Apoio à Criança.

1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Sociedade Portuguesa de Autores

Março 25, 2010 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Com o título “Palavras para que vos quero”, realiza-se na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, nos próximos dias 23 e 24 de Abril, o 1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Sociedade Portuguesa de Autores.  Para além de palestras e debates, o encontro inclui sessões de poesia e teatro.   

Contará com as presenças dos escritores António Torrado, Jorge de Sousa Braga, Gonçalo M. Tavares, Manuel António Pina, Maria Alberta Menéres e Matilde Rosa Araújo e da ilustradora Teresa Lima.

 

Consulte o programa

Informações e inscrições:

Biblioteca Municipal Almeida Garrett (ao c/ Helena Silva)

Rua de Entrequintas, 328, 4050-239 Porto

Tel. (+351) 226081000 | fax (+351) 226081057

email: bib.agarrett@cm-porto.pt

Fonte: Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas


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