Violência mata uma criança a cada cinco minutos

Outubro 24, 2014 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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notícia da Rádio Renascença de 21 de outubro de 2014.

“Estamos a descobrir que as crianças experimentam a violência na dia-a-dia, em todo o lado”, não apenas em zonas de guerra, afirma a directora para a protecção da infância da UNICEF.

Uma criança morre vítima de violência a cada cinco minutos em todo o mundo, alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Num relatório divulgado esta terça-feira, a UNICEF estima que 345 crianças sejam mortas diariamente em situações violentas.

As regiões em guerra nem são o principal cenário destas mortes. Cerca de 75% dos casos acontecem em países sem qualquer conflito bélico.

“Nós estamos a descobrir que as crianças experimentam a violência na dia-a-dia, em todo o lado”, afirma a directora para a protecção da infância da UNICEF, Susan Bissell.

O relatório denuncia o caso de países em que a redução da mortalidade infantil, conseguida graças a progressos alimentares e na saúde, está a ser revertida pelas mortes violentas.

No Brasil, por exemplo, o número de crianças com menos de cinco anos que morrem de doenças que podem ser prevenidas baixou desde o ano 2000, mas quase 15 mil perderam a vida em situações violentas durante a adolescência.

O perigo está nas ruas, mas não só. Milhares de crianças estão vulneráveis a abusos físicos, sexuais e emocionais nas suas casas, escolas e comunidades.

“A saúde física e mental das crianças está a sofrer danos permanentes todos os dias por causa da violência”, refere a directora de campanhas da UNICEF do Reino Unido.

Leah Kreitzman acrescenta que muitas famílias já nem fazem queixa às autoridades porque sabem que não vão ser ajudadas, o que cria um clima de impunidade.

Exemplo disso é o que se passa no Quénia, onde uma em cada três raparigas e um em cada seis rapazes são vítimas de violência sexual, mas só 1% dos casos são reportados à polícia.

 

 

Violência doméstica deixou 107 crianças órfãs de mãe

Outubro 22, 2014 às 6:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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notícia do i de 22 de outubro de 2014.

Eduardo Martins

Eduardo Martins

Por Marta F. Reis

UMAR começou a compilar dados sobre filhos de vítimas de violência doméstica e avisa que em Portugal ninguém sabe o que lhes acontece

No mesmo dia, Joana viu o pai esfaquear mortalmente a mãe e a irmã, atacá-la no peito com uma faca e mutilar-se a ele próprio antes de a GNR entrar no apartamento da família em Soure. A adolescente de 13 anos ficou com um pulmão perfurado, mas ontem a sua situação clínica estava a evoluir favoravelmente. Como Joana, nos últimos dois anos a violência doméstica deixou 107 crianças órfãs de mãe, revelam dados da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta. “É um número brutal, e ninguém sabe o que lhes acontece”, disse ao i Elisabete Brasil, responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, gerida pela associação não-governamental.

À excepção dos relatórios da UMAR, nenhum balanço oficial da violência doméstica faz referência aos filhos das vítimas mortais e ao seu percurso. O relatório nacional das comissões de protecção de crianças e jovens mostra que a exposição à violência doméstica esteve por detrás de mais de 5215 casos sinalizados em 2013 e que foram reportados maus-tratos físicos a 161 crianças neste contexto. Mas o que acontece aos menores que vêem a família destruída de um momento para o outro é algo que não tem sido objecto de análise.

Até 2012, a União de Mulheres Alternativa e Resposta também só recolhia informação sobre outras pessoas que presenciam o episódio de violência fatal, situações em que muita vezes estão menores envolvidos. A percepção de que os casos mais trágicos de violência doméstica não fazem apenas vítimas directas levou a tornar o levantamento, feito a partir de relatos na comunicação social, mais exaustivo, explica Elisabete Brasil: “Começámos a juntar informação pois pensamos que deverá haver maior intervenção nesta área. Por vezes as crianças ficam órfãs de mãe e pai, quando o homicídio é seguido de suicídio. Mas mesmo em situações em que o pai não morre pode ser uma perda dupla: ficam sem mãe mas perdem para sempre o pai, que devia ser um pilar nas suas vidas.”

Numa altura em que tem aumentado o apoio às mulheres vítimas de violência, com mais casas de abrigo, a responsável não recorda qualquer proposta no sentido de aumentar a protecção a estas crianças, que nestas situações são entregues a familiares directos ou postas à guarda de instituições geralmente após um processo de protecção judicial. “É um tema que tem sido esquecido. Após essa decisão, não têm qualquer apoio especializado, apenas o que estiver disponível nas suas comunidades e tanto nas escolas como nos cuidados de saúde é muitas vezes insuficiente para as necessidades”, diz a responsável.

Álvaro Carvalho, director do Programa Nacional para a Saúde Mental na Direcção Geral da Saúde, admitiu ao i não ter percepção do número de órfãos em resultado da violência doméstica e que há um défice de serviços especializados nesta área. Só existe um serviço de psicologia especializado em violência no contexto familiar no antigo Hospital Sobral Cid, hoje no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. “Tem de haver um reforço nas competências ao nível dos cuidados primários e estão a ser definidos indicadores que poderão ajudar a despistar estas situações, que muitas vezes ainda são mantidas em segredo”, afirma o psiquiatra, explicando que o trauma pode ter consequências a prazo. “O acompanhamento é importante, pois por vezes os ciclos de violência repetem-se. Não é linear que assim seja, mas há uma associação entre sofrer maus-tratos em criança e replicá-los em adulto. As próprias pessoas podem pensar que esquecem, mas numa situação desfavorável, como uma depressão ou problema financeiro, pode vir ao de cima.”

Para Elisabete Brasil, além de maior sensibilização, poderia ser útil a criação de um estatuto próprio para estes órfãos. “Em alguns casos temos contacto de familiares que ficam com as crianças e têm problemas em incluí-las nos seus agregados, mas são questões mais deste foro que de acompanhamento e auxílio na superação do trauma. Não conseguimos ter uma ideia global sobre como atravessam esta fase”, lamenta.

Segundo os dados da UMAR, o homicídio em Soure fez subir para 30 as vítimas de violência doméstica este ano. Em 2013, a UMAR contabilizou 37 mulheres assassinadas e, em 2012, 41. No ano passado, as participações de violência doméstica às polícias aumentaram depois de um período de quebra e este ano a tendência tornou a repetir-se no primeiro semestre, com um aumento de 2,4% nas queixas.

 

 

Maus-tratos a crianças estão mais sofisticados

Outubro 16, 2014 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Artigo do Jornal de Notícias de 13 de outubro de 2014.

clicar na imagem

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Ending Violence Against Children: Six Strategies for Action – Novo relatório da Unicef

Outubro 13, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe o seu comentário
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Ending Violence Against Children: Six Strategies for Action provides evidence of effective programmes to address violence against children drawn from UNICEF’s decades of experience, and informed by key partners. Case studies from around the globe illustrate how well-crafted prevention and response strategies can reduce the prevalence and impact of violence against children. The report is released as part of the #ENDviolence global initiative calling for an end to all forms of violence against children. It is directed at government leaders, civil society representatives, the private sector and the international development community.

descarregar o relatório aqui

Prevenção de Maus Tratos a Crianças – Infografia da OMS

Setembro 29, 2014 às 6:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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descarregar a infografia no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/Life-stages/child-and-adolescent-health/data-and-statistics/infographic-prevent-child-maltreatment-download

 

Relatório da UNICEF alerta para “factos inquietantes” sobre violência infantil

Setembro 12, 2014 às 8:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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notícia da Visão Solidária de 4 de setembro de 2014.

descarregar o relatório Hidden in Plain Sight: A statistical analysis of violence against children mencionado na notícia

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O relatório – “Hidden in plain sight” – desenvolvido pela UNICEF relativamente à violência infantil alerta para “factos inquietantes”. E diz que, “se não enfrentarmos a realidade que cada uma destas estatísticas revoltantes representa, nunca mudaremos a mentalidade segundo a qual a violência contra as crianças é normal e tolerável”. Quem o diz é Anthony Lake, Diretor Executivo da UNICEF, num comunicado de imprensa.

Lançado esta quinta-feira, em Nova Iorque, o relatório diz respeito a uma análise estatística sobre os “padrões globais de violência contra crianças”. O estudo teve por base 190 países sendo que os dados apenas são referentes aos indivíduos que se disponibilizaram a participar na pesquisa. Deste modo, o relatório documenta a violência contra crianças nas suas comunidades, escolas e casas.

Para além de dar a conhecer a impressionante escala dos abusos físicos, sexuais e emocionais, questões como “os efeitos duradouros, e muitas vezes inter-geracionais, da violência” foram também estudadas e abordadas. Assim sendo, os dados mostram que as crianças que foram e são expostas aos vários tipos de violência têm uma probabilidade de virem a viver na pobreza, a comportarem-se de forma violenta ou a ficarem desempregadas.

Seguindo esta lógica Anthony Lake acrescentou que esta situação “embora prejudique sobretudo as crianças, também afeta todo o tecido da sociedade – ameaçando a estabilidade e o progresso (…) a violência contra as crianças não é inevitável. Podemos preveni-la se não deixarmos que permaneça na sombra”.

Com o intuito de prevenir e reduzir a violência infantil, a UNICEF apresentou seis estratégias: apoiar os pais e dotar as crianças de aptidões para a vida quotidiana; mudar mentalidades; reforçar os sistemas judiciários, penais e de serviços sociais; recolher elementos de prova relativos à violência e aos custos humanos e socioeconómicos que acarreta, são quatro delas.

Iniciativa

Com o intuito de “chamar a atenção para o problema como um primeiro passo para mudar mentalidades, comportamentos e políticos”, a UNICEF lançou a iniciativa a 31 de julho de 2013. O slogan “Tornar visível o invisível” apelava ao envolvimento coletivo na luta contra a violência infantil, dando especial foco ao facto da violência estar “em todo o lado”, mas por vezes “longe da vista de todos”, ou “tolerada devido a normas sociais ou culturais”.

A iniciativa contou com o apoio de cerca de 70 países em todo o mundo, que se comprometeram a disponibilizar meios para “identificar, localizar e reportar situações de violência contra crianças em todas as suas formas”.

Principais Conclusões

Foram várias as conclusões retiradas daquele que consiste na maior compilação de dados relativos aos vários tipos de violência contra as crianças, até hoje. Entre elas destacam-se as seguintes:

Relativamente à violência sexual os pesquisadores concluíram que, em todo o mundo, cerca de 120 milhões de raparigas com idade inferior a 20 anos (cerca de 1 em cada 10) foram sujeitas a relações sexuais forçadas ou outro tipo de atos sexuais forçados. A prevalência da violência praticada por parceiros é de 70% ou mais na República Democrática do Congo e na Guiné Equatorial.

Sendo que um quinto das vítimas de homicídio, a nível global, são crianças e adolescentes com menos de 20 anos – 95.000 mortes em 2012 – o estudo concluiu que o homicídio está entre as principais causas de morte em indivíduos do sexo masculino com idades entre os 10 aos 19 anos no Panamá, Venezuela, Salvador, Brasil, Colômbia, Guatemala, Trinidad e Tobago. A Nigéria tem o maior número de homicídio infantil (13.000) mas entre os países da Europa Ocidental e da América do Norte, os Estados Unidos têm a taxa de homicídio mais alta.

O Bullying é um dos temas que mais se tem vindo a falar. Quase 1/3 dos estudantes entre os 11 e os 15 anos na Europa e América do Norte relatam ter estado envolvidos em atos de bullying contra outros. Na Letónia e na Roménia, 6 em cada 10 admitem ter sido autores de bullying. No que diz respeito às vítimas, em todo o mundo, 1 em cada 3 estudantes com idades entre os 13 e os 15 anos são regularmente vítimas de bullying. Na Samoa a proporção é de quase 3 em cada 4.

Bater na cabeça, nas orelhas, na cara ou espancar a criança repetidamente são alguns dos castigos físicos severos que cerca de 17% das crianças, em 58 países, são submetidas. Em todo o mundo, 3 em cada 10 adultos acreditam que uma disciplina violenta, ou seja, um castigo físico é necessário para educar corretamente uma criança. Mais de 40% das crianças entre os 2 e os 14 anos de idade são submetidos a castigos corporais severos no Chade, Egito e Iémen.

Como consequência, muitas crianças desenvolvem vários tipos de atitudes em relação à violência. No Afeganistão, Guiné, Jordânia, Mail e Timor-Leste 80% das raparigas adolescentes com idades entre os 15 e os 19 anos pensam que, em determinadas circunstâncias, é justificável um marido bater na mulher. Em 28 dos 60 países com dados sobre ambos os sexos, são mais as raparigas do que rapazes que acreditam que bater na mulher é por vezes justificado. Dados de 30 países sugerem que 7 em cada 10 raparigas dos 15 aos 19 anos que foram vítimas de abuso físico e/ou sexual nunca procuraram ajuda.

 

 

 

South Sudan: Children are dying now

Agosto 26, 2014 às 8:00 pm | Na categoria Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe o seu comentário
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mais informações:

http://www.supportunicef.org/site/c.dvKUI9OWInJ6H/b.7549291/k.BDF0/Home.htm

Nearly 1 million children under age 5 in South Sudan will require treatment for acute malnutrition in 2014, and without immediate intervention, it is estimated that 50,000 children could die from malnutrition by the end of the year. Further, one in every three people in the country faces dangerous levels of food insecurity, with many not knowing when and how they will secure their next meal.

Resurgent conflict has raised pre-existent emergency levels of undernutrition among children to grave heights, and famine now looms. If more is not done, we are in danger of witnessing a repetition of the crises that emerged in Somalia and the Horn of Africa three years ago, when early warnings of extreme hunger and escalating malnutrition went largely unheeded until official famine levels were announced. South Sudan’s children are already dying. They cannot wait for such an announcement.

To learn more about the nutrition situation in South Sudan, read: http://www.unicef.org/media/media_74581.html

 

UN tells Ireland to ban smacking children

Agosto 26, 2014 às 6:00 am | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do site http://www.thejournal.ie de 25 de julho de 2014.

O documento da United Nations Human Rights Committee citado na notícia é o seguinte:

Concluding observations on the fourth periodic report of Ireland CCPR/C/IRL/CO/4

 

Shutterstock

They say that the State should focus on promoting non-violent forms of discipline.

THE UN HAS told Ireland to ban smacking children.

The international body’s Human Rights Committee yesterday released a hard-hitting, eight-page document of “concluding observations” which also criticise Ireland’s handling of the symphysiotomy controversy and lack of progress investigating the institutional abuse of women and children in mother-and-baby homes as well as abortion.

In their recommendations on children, the UNHRC says:

“The State party should take appropriate steps, including the adoption of suitable legislation, to put an end to corporal punishment in all settings.

It should encourage non-violent forms of discipline as alternatives to corporal punishment, and conduct public information campaigns to raise awareness about its harmful effects.

The recommendations have been welcomed by the Children’s Rights Alliance, who have long called for an outright ban on smacking.

“The UN Human Rights Committee has called on Ireland to ban hitting children in all settings,” said Tanya Ward of the Children’s Rights Alliance.

“A ban would change attitudes and reduce abuse levels overall. It’s about time that we took action to protect children from all forms of violence. The Committee also called on the Government to encourage non-violent forms of discipline and to conduct information campaigns to raise awareness about its harmful effects.

“Once again, the committee has criticised the lack of access to secular education in Ireland for children of minority faith or non-faith families. They recommend that the Government legislate against discrimination in access to schools on the grounds of religion or belief and increase the number of diverse schools and curriculum.”

 

 

 

Bombas em vez de brinquedos: crianças têm infância perdida em Gaza e Síria

Julho 31, 2014 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Reportagem da http://www.bbc.co.uk de 28 de julho de 2014.

reuters

Lyse Doucet

Correspondente internacional-chefe da BBC News

“Quando você vê na TV, não é como é na vida real.”

Syed, de 12 anos, se inclina e olha atentamente uma estreita parede de concreto cinza, como se seus olhos fossem capazes de abrir um buraco capaz de ajudá-lo a escapar de sua vida. Morador de Gaza, ele assistiu à morte de seu irmão mais novo.

“Quando sentamos na ambulância juntos, pensei que ele fosse sobreviver, então me senti um pouco melhor”, diz. Mas quando chegaram ao hospital, Mohammad já estava morto.

Três de seus primos também morreram naquele 16 de julho. Eles brincavam em uma praia perto do porto de Gaza quando Israel atingiu a área duas vezes.

Os conflitos modernos são travados em ruas e escolas, deixando pouco de pé. Cada vez mais crianças morrem, e o próprio conceito de infância está sendo destruído.

Israel alega que não atinge civis intencionalmente, mas Gaza é um pedaço de terra estreito, densamente povoado e, agora, perigoso, onde crianças não têm onde se proteger.

O Hamas e outros grupos armados palestinos negam o uso de civis como escudos humanos, mas a BBC presenciou foguetes sendo disparados de dentro de prédios e em áreas abertas

Antes amigos, agora inimigos

A Organização das Nações Unidas destacou, na semana passada, que uma criança morre por hora em Gaza.

Mas antes de Gaza dominar as manchetes, eram as crianças da Síria que despertavam a consciência do mundo.

bbc

Na violenta guerra síria, já em seu quarto ano, mesmo os mais jovens estão sob o alvo de atiradores. Até crianças têm sido torturadas. Milhões delas vivem com fome e medo, e muitas sofrem em áreas cercadas.

Nos últimos seis meses, a BBC acompanhou as vidas de seis crianças sírias. As histórias delas esboçam o mapa político e social desse país e dão uma perspectiva turbulenta do que pode ser o futuro sírio.

“Eu sou uma criança apenas na idade e na aparência”, diz Ezadine, de 9 anos, com naturalidade. “Mas em termos humanos, eu não sou. No passado, alguém de 12 anos era considerado jovem, mas não agora. Agora, aos 12 anos, você deve se juntar à jihad.”

Ezadine se parece com qualquer criança da idade dele. Mas ele é um refugiado em um campo no sul da Turquia, local com forte presença do Exército de Libertação da Síria, e seu irmão adolescente que já se juntou aos combates do outro lado da fronteira.

A centenas de quilômetros de distância, em Damasco, o mundo de Jalal, de 14 anos, está enraizado no apoio ao presidente Bashar al-Assad, incluindo o pai e tios que lutam em uma unidade de defesa de bairro.

Jalal lamenta o quanto “a crise mudou a gente. Agora as crianças entendem e falam sobre política. Estamos todos prontos para morrer pelo nosso país”.

Jalal e Ezadine veem antigos amigos, agora do outro lado, como alvos de uma “lavagem cerebral”.

E as crianças veem suas próprias situações com uma clareza surpreendente.

bbc2

“Eu não vejo por que eu tinha que perder a minha perna só porque Bashar al-Assad queria permanecer no poder”, diz Mariam, de 9 anos.

Ela se lembra de todos os detalhes do dia no qual um avião de combate sírio veio em direção a sua casa, em um vilarejo na região de Homs. “Nós tínhamos uma grande janela. Eu olhei por ela e vi (o avião) vindo em nossa direção. Ele jogou o barril (com explosivos) e foi embora”.

Até hoje, ela não consegue sentar em uma sala. E não consegue brincar com outras crianças em um parquinho no sul da Turquia.

‘Eu odeio o futuro’

Baraa, de 8 anos, cuja família deixou o bairro antigo de Homs, sitiado, fala com vergonha sobre a mudança que o conflito provocou em sua vida. “Em vez de aprender a ler e escrever, eu aprendi sobre todos os tipos de armas. Agora, eu sei o nome de balas”.

A menina diz que nem ela nem suas irmãs conseguem ouvir direito por causa das explosões. A guerra, afirma, foi “muito dura”.

bbc3

“Na nossa casa tinha cerca de 40 ratos, então tínhamos uma gata. Ela comia todos os ratos, até que um dia resolveram comer ela. Não nos disseram o que era no início, mas no dia seguinte disseram que era carne de gato”, contou.

No subúrbio de Damasco, Kifah, de 13 anos, vive no campo de refugiados palestinos em Yarmouk. Ele diz que sua vida é “normal”.

Mas a determinação do jovem de manter seriedade desaba quando perguntado sobre o que ele estava comendo. “Não tem pão”, diz, imerso em lágrimas.

Há uma nova e preocupante “normalidade” para crianças que vivem sob a guerra.

Amer Oda chefia uma grande família que vive no bairro de Zeitoun, em Gaza. Crianças de todas as idades se amontoam nas escadas atrás dele ou sentam-se de pernas cruzadas sobre um chão de concreto.

Há o som regular de artilharia israelense ou fogo de tanques na mesma rua. Há, também, o barulho alto de foguetes sendo disparados contra Israel.

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Amer Oda ignorou as advertências israelenses para levar sua família de 45 membros para fora desta área, perguntando, como toda Gaza faz, “Para onde posso ir?”

“Isto se tornou vida normal para elas (crianças)”, diz, enquanto puxa a pequena Dima, de 4 anos. “Isso é tudo o que elas conhecem”.

Dima já viveu duas guerras de Gaza. Todo cidadão local, com idades entre seis e mais, já presenciou três ou mais.

Em Gaza, três crianças de uma mesma família foram mortas por um ataque de advertência de Israel conhecido como “toque no telhado”. Eles estavam brincando com pombos no telhado.

“Eu odeio o futuro tanto”, disse Daad, de 11 anos, da Síria, que se veste de rosa e tem pesadelos. “Podemos viver, ou podemos morrer.”

 

 

Ofensiva em Gaza mata 10 crianças por dia

Julho 24, 2014 às 10:16 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia da Visão de 22 de julho de 2014.

Reuters

Reuters

Segundo as contas da UNICEF, só nas últimas 24 horas, pelo menos 18 crianças palestinianas foram mortas em Gaza, na sequência da ofensiva israelita

Números divulgados esta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância apontam para que pelo menos 146 crianças palestinas tenham morrido nos bombardeamentos aéreos e terrestres de Israel, o que dá uma média de 10 crianças por dia.

Numa nota, a UNICEF especifica que as vítimas – 97 meninos e 49 meninas – têm idades compreendidas entre os 5 meses e 17 anos. Mas pelo menos 105 tem 12 anos ou menos. A este número, há que somar pelo menos 1100 crianças feridas.

Também  pelo menos 85 escolas ficaram danificadas.

Mais informações na REGULAR PRESS BRIEFING BY THE INFORMATION SERVICE de 22 July 2014 UNOG  United Nations Office at Geneva

http://www.unog.ch/unog/website/news_media.nsf/%28httpNewsByYear_en%29/1970F3582470EC71C1257D1D0038F4E2?OpenDocument

 

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