Sistema de ensino português não consegue reduzir assimetrias sociais

Fevereiro 26, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Uncategorized | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 19 de Fevereiro de 2014.

Daniel Rocha

Samuel Silva

Filhos de profissionais mais qualificados têm melhores resultados, revela análise da OCDE aos resultados do PISA 2012, publicada nesta terça-feira. Ao contrário de outros países, Portugal não consegue esbater diferenças.

Os estudantes portugueses têm conseguido melhorar o seu desempenho nos testes PISA, um exercício repetido a cada três em três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mas são sobretudo os filhos das famílias com empregos mais qualificados e por isso com mais recursos económicos que conseguem melhores resultados. A conclusão é de um novo estudo daquele organismo internacional, que compara os resultados dos alunos com as profissões dos pais. Portugal está longe de conseguir mitigar os efeitos das diferenças familiares nos percursos escolares, ao contrário do que fazem outros países.

O estudo publicado na terça-feira usa uma classificação que agrupa empregos e tarefas semelhantes. A OCDE considera os gestores como os profissionais mais classificados, seguidos da categoria “profissionais” – que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. Os filhos de trabalhadores destes dois grupos lideram os resultados na generalidade dos países e Portugal não é excepção. Independentemente da disciplina em análise – leitura, matemática ou ciência, os três testes feitos pelo PISA – os filhos dos “profissionais” têm sempre os melhores resultados, seguidos dos filhos dos gestores. Os estudantes cujos pais têm profissões técnicas qualificadas aparecem logo a seguir.

No extremo oposto, aparecem os resultados dos alunos cujos pais têm profissões “elementares” na classificação usada pela OCDE, bem como os trabalhadores manuais e os profissionais dos sectores agrícola, florestal e das pescas. Quando se compara os resultados de Portugal com países que têm melhores resultados que os seus, como a Polónia ou a Alemanha, percebe-se que se mantém alguma regularidade, mantendo as mesmas posições relativas entre grupos profissionais e a dispersão dos resultados.

No entanto, quando a análise se centra em países com piores resultados do que Portugal no último PISA, conseguem perceber-se resultados mais semelhantes entre os estudantes. É o que acontece com a Suécia, onde há notas mais próximas entre os filhos dos profissionais das várias áreas, Neste país e na Eslovénia, os trabalhadores do sector agrícola, florestal e das pescas, conseguem estar na média dos resultados dos seus países, ao passo que em Portugal ocupam as últimas posições.

Este estudo aponta o facto de existiram países onde essas diferenças conseguem ser ainda mais mitigadas. A Finlândia e o Japão são apontados pela OCDE como exemplos de sistemas escolares que conseguem fornecer educação de qualidade para todos os alunos, independentemente daquilo que os seus pais fazem para ganhar a vida. A organização internacional relaciona, de resto, os níveis de desempenho elevados alcançados por estes dois países com o facto de serem garantidas a mesma educação e estímulo a todas as crianças.

A OCDE sublinha no relatório que apesar de haver “uma forte relação” entre as ocupações dos pais e desempenho dos alunos no PISA, o facto de os alunos de em alguns sistemas de ensino, conseguirem superar os resultados de filhos de profissionais, independentemente do que seus pais fazem para ganhar a vida, “mostra que é possível que crianças de operários, se lhes forneceram as mesmas oportunidades de educação de alta qualidade que filhos de advogados e médicos desfrutam, tenham bons resultados”.

Em Portugal, parece persistir um “vector de desigualdade e de assimetria muito forte”, sublinha a investigadora do Instituto de Educação da Universidade do Minho Fátima Araújo. As escolas têm dificuldades em trabalhar com crianças que provêm de famílias com níveis escolares muito baixos ou situações sociais e económicas desfavorecidas, explica. Isto acentua as consequências de uma “fractura geracional” evidente para as cerca de 1,5 milhões de pessoas que não têm mais do que o primeiro ciclo.

Fátima Araújo recorda também uma regularidade já realçada por outros investigadores portugueses que mostram que os resultados nacionais neste tipo de estudos estariam em linha com a média da OCDE e, em alguns casos, mesmo acima, desde que fosse mitigado o efeito das reprovações, que têm um peso muito forte no sistema educativo nacional. Os “chumbos” têm “uma incidência muito elevada em estudantes de famílias que têm níveis escolares muito baixos”.

A OCDE baseia-se nos resultados do PISA 2012, que tinham sido divulgado em Dezembro, e que têm por base testes realizado por cerca de 510 mil estudantes de 15 anos, dos quais 5700 em Portugal. Nessa ocasião foi perguntado aos alunos qual a ocupação profissional dos seus pais e o estudo agora apresentado cruza as duas variáveis, tentando perceber a sua relação.

Apesar de continuarem abaixo da média das OCDE nos três testes realizados os resultados dos alunos portugueses foram sublinhados por aquele organismo internacional, uma vez que fora os que registaram uma melhoria de performance mais evidente na última década. A Matemática continua a ser a disciplina em que os estudantes nacionais têm piores resultados –obtiveram 487 pontos, sendo a média geral de 494. Na leitura, os portugueses tiveram 488 (a média geral foi de 496) e a ciências mais um ponto (a média é também a mais alta, 501).

Os resultados desta nova análise agora tornados públicos podem ser consultados através de um dispositivo interactivo – disponível em http://beta.icm.edu.pl/PISAoccupations2012/ – onde é possível conhecer o diagnóstico de cada um dos países que participou nos PISA 2012 e estabelecer comparações entre países, tendo em conta os resultados dos estudantes participantes nos testes de leitura, matemática e ciência e as ocupações dos seus pais.

Essa ferramenta permite, por exemplo, perceber a existência de diferenças geográficas nos resultados. Olhando para os resultados em matemática, por exemplo, os filhos de pessoas que trabalham em limpezas em Xangai ou Singapura conseguem ter resultados superiores aos dos norte-americanos que são filhos de “profissionais” – uma categoria que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. O PISA revela ainda que os Estados Unidos e o Reino Unido, países onde estes profissionais estão entre os mais bem pagos do mundo, não têm tão bons resultados a matemática como os trabalhadores destas áreas profissionais noutros países do mundo.

Reading for pleasure puts children ahead in the classroom, study finds

Outubro 1, 2013 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Institute of Education da University of London de 11 de setembro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Sullivan, A. and Brown, M. (2013) Social inequalities in cognitive scores at age 16: The role of reading. CLS Working Paper 2013/10. London: Centre for Longitudinal Studies.

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Children who read for pleasure are likely to do significantly better at school than their peers, according to new research from the Institute of Education (IOE).

The IOE study, which is believed to be the first to examine the effect of reading for pleasure on cognitive development over time, found that children who read for pleasure made more progress in maths, vocabulary and spelling between the ages of 10 and 16 than those who rarely read.

The research was conducted by Dr Alice Sullivan and Matt Brown, who analysed the reading behaviour of approximately 6,000 young people being followed by the 1970 British Cohort Study, which is funded by the Economic and Social Research Council. They looked at how often the teenagers read during childhood and their test results in maths, vocabulary and spelling at ages 5, 10 and 16.

The researchers, who are based in the IOE’s Centre for Longitudinal Studies, compared children from the same social backgrounds who had achieved the same test scores as each other both at ages 5 and 10. They discovered that those who read books often at age 10 and more than once a week at age 16 gained higher results in all three tests at age 16 than those who read less regularly.

Perhaps surprisingly, reading for pleasure was found to be more important for children’s cognitive development between ages 10 and 16 than their parents’ level of education. The combined effect on children’s progress of reading books often, going to the library regularly and reading newspapers at 16 was four times greater than the advantage children gained from having a parent with a degree.

Children who were read to regularly by their parents at age 5 performed better in all three tests at age 16 than those who were not helped in this way.

Dr Sullivan notes that reading for pleasure had the strongest effect on children’s vocabulary development, but the impact on spelling and maths was still significant. “It may seem surprising that reading for pleasure would help to improve children’s maths scores,” she said. “But it is likely that strong reading ability will enable children to absorb and understand new information and affect their attainment in all subjects.”

The study also found that having older siblings had a negative effect on children’s test scores in all three subject areas but particularly for vocabulary. Having younger siblings had less effect on test performance but was linked to lower vocabulary scores. The researchers suggest this may be because children in larger families spend less time in one-to-one conversations with their parents and therefore have less opportunity to develop their vocabularies.

Dr Sullivan says this study underlines the importance of encouraging children to read – even in the digital age. “There are concerns that young people’s reading for pleasure has declined. There could be various reasons for this, including more time spent in organised activities, more homework, and of course more time spent online,” she said.

“However, new technologies, such as e-readers, can offer easy access to books and newspapers and it is important that government policies support and encourage children’s reading, particularly in their teenage years.”

Dr Sullivan also emphasises that improving adult literacy could be important for children’s cognitive development. “Children of parents who had reading problems performed significantly less well in all three tests than children of parents who reported no reading problems,” she said. “Given the prevalence of adult illiteracy in Britain, with functional illiteracy estimated at 15 per cent, policies to increase adult literacy rates could significantly improve children’s learning outcomes.”

“Many of the young people included in this study are now parents themselves, and their literacy levels and enjoyment of reading will in turn influence their children’s educational attainment.”

‘Social inequalities in cognitive scores at age 16: The role of reading’, by Alice Sullivan and Matt Brown, is the latest paper to be published in the CLS Working Paper Series. Further information from:

Claire Battye
020 7612 6516
c.battye@ioe.ac.uk

Meghan Rainsberry
020 7612 6530
m.rainsberry@ioe.ac.uk

Notes for editors:

1. The 1970 British Cohort Study (BCS70) is following the lives of more than 17,000 people born in England, Scotland and Wales in a single week of 1970. Since the birth survey in 1970, there have been eight further surveys of all cohort members at ages 5, 10, 16, 26, 30, 34, 38 and 42. The age 46 survey is due to take place in 2016. Over the course of cohort members’ lives, BCS70 has collected information on health, physical, educational and social development, and economic circumstances, among other factors.

2. BCS70 is managed by the Centre for Longitudinal Studies (CLS), which is based at the Department of Quantitative Social Science, Institute of Education. CLS is responsible for running two of Britain’s other major birth cohort studies: the 1958 National Child Development Study and the Millennium Cohort Study. Further information available at www.cls.ioe.ac.uk

3. The Institute of Education is a college of the University of London that specialises in education and related areas of social science and professional practice. In the most recent Research Assessment Exercise two-thirds of the Institute’s research activity was judged to be internationally significant and over a third was judged to be “world leading”. The Institute was recognised by Ofsted in 2010 for its “high quality” initial teacher training programmes that inspire its students “to want to be outstanding teachers”. The IOE is a member of the 1994 Group, which brings together 12 internationally renowned, research-intensive universities. More at www.ioe.ac.uk

4. The Economic and Social Research Council (ESRC) is the UK’s largest organisation for funding research on economic and social issues. It supports independent, high quality research which has an impact on business, the public sector and the third sector. The ESRC’s total budget for 2012-13 was £205 million. At any one time the ESRC supports over 4,000 researchers and postgraduate students in academic institutions and independent research institutes. More at www.esrc.ac.uk

 

Seminário – Defender a Educação Pública

Outubro 22, 2012 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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As inscrições devem ser feitas até dia 25 de Outubro

Mais informações Aqui

Ciclo de Palestras “Uma conversa com Carlos Farinha Rodrigues” : As desigualdades sociais em Portugal

Outubro 17, 2011 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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A entrada é gratuita, mas a inscrição é obrigatória.

Núcleo Distrital de Lisboa da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza

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